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Duas rvores Frutos Bons e Frutos Maus

“Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.” (Mateus 7.16-17) 

No último texto que publiquei sob o título “Aonde Vamos?”, exteriorizei um pensamento que surpreendeu a uns poucos leitores do meu blog. Diante de Deus, o nosso Pai, tenho derramado a minha gratidão pelo privilégio de publicar os meus textos e, principalmente, e, ainda mais, pelo privilégio de ter leitores tão bondosos que me transmitem ânimo e que, com suas manifestações escritas, ajudam-me a perseverar e a crescer espiritualmente. O que surpreendeu a alguns foi a minha afirmação de que “a Igreja precisa de evangelização.” Volto, então, ao tema.

Nós os cristãos declaramos, na teoria, que “a Bíblia Sagrada é a nossa única e exclusiva regra de fé e prática.” Esta declaração é constantemente repetida na Igreja e pela Igreja, e os pastores, às vezes até por obrigação ritualística, reivindicam essa confissão dos novos convertidos que chegam para fazer parte do Corpo de Cristo, por meio do batismo e/ou da profissão de fé. Fazemos essa declaração e essa confissão com enorme facilidade e, então, pelo menos na teoria, sentimos que somos cristãos. Entretanto, logo, logo, as circunstâncias da vida secular e da vida religiosa nos confrontam e, aí, percebemos quão difícil é dar testemunho do Evangelho, quão difícil é demonstrar com atitudes o que apregoamos com palavras! Parece quase impossível!

Acreditamos e cremos na Bíblia Sagrada porque em nossos corações e mentes acolhemos com fé o fato de ser ela a Santa e infalível Palavra de Deus revelada aos homens. A leitura nos ensina sobre os quatro fundamentos da nossa fé: (1) Jesus nasceu. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Deus conosco. (2) Jesus sofreu e morreu pelos nossos pecados. O sacrifício da cruz foi real. O sacrifício foi perfeito. (3) Ao terceiro dia Jesus ressuscitou. A ressurreição foi a Sua vitória sobre a morte e a garantia da nossa. A Glória da ressurreição. (4) Jesus voltará. Nós, o Seu povo, a Sua Igreja, aguardamos esperançosos e confiantes esse retorno, quando O veremos face a face. A Segunda Vinda. Esta é a síntese da simplicidade do Evangelho: crer na obra da salvação; aceitar na teoria e viver na prática as palavras e as regras estabelecidas pelo Salvador, Jesus, o supremo e perfeito Pastor, O Senhor e Mestre do Evangelho.

Ainda nesse texto postado, abordei uma das quatro advertências de Jesus registradas na conclusão do conhecido Sermão do Monte, que trata da porta estreita e do caminho apertado. Agora, destaco a segunda advertência que estabelece o contraste entre a árvore boa, que produz bons frutos, e a árvore má, que produz frutos maus. Fica claro no texto que Jesus declara ser incompatível com a vida cristã a árvore má, esta que produz maus frutos. O cristão, obrigatoriamente, precisa se assemelhar à árvore boa, que produz bons frutos. Somente abraçando o Evangelho e seguindo incondicionalmente o caminho indicado por Jesus, o homem cristão e a mulher cristã podem lograr êxito nessa arrojada e dificílima peregrinação. A Igreja precisa ser evangelizada sempre. Não é fácil produzir sempre frutos bons, também denominados de “O Fruto do Espírito.” (Gálatas 5.22-23).

Um exemplo muito concreto do contraste entre frutos bons e frutos maus nos chega de Moçambique, na África. Depois de 16 anos de guerra civil, de 1976 a 1992, um Bispo Anglicano local, Dom Dinis Salomão Sengulane (1946 -), Presidente do Conselho Cristão de Moçambique, fundou o projeto “TAE –Transformação de Armas em Enxadas”, confiante no texto da profecia bíblica: “Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2.4). Quando a guerra chegou ao fim, deixou um rastro interminável de luto: 1 milhão de mortos, dos quais 454 mil eram crianças de menos de 15 anos, lágrimas inconsoláveis e milhões de armas abandonadas pelo país – metralhadoras AK-47, fuzis, pistolas, espingardas, lança-granadas, facões, munições variadas e tantas outras. Os frutos maus das árvores más cobriam o país devastado pela guerra, pela miséria, pela fome, pelo medo.

Dom Dinis ensinou e estimulou o povo moçambicano a encontrar, a desmantelar e a juntar os restos dessa parafernália de guerra. Rapidamente, conseguiu juntar cerca de 800 mil armas numa enorme montanha de sucata. Os frutos maus – as armas que matavam – logo foram transformados em frutos bons – enxadas, arados, podadeiras, obras de arte – conforme a profecia; da feiúra se fez a beleza. Dom Dinis, uma árvore boa, produziu incontáveis frutos bons e o seu trabalho foi reconhecido e eternizado. Essa “árvore” boa continua produzindo frutos bons, empenhada na luta para a erradicação da malária, para o desarmamento da população, para curar as feridas físicas, psicológicas e morais conseqüentes da guerra bestial.

O Museu Britânico encomendou aos melhores artistas moçambicanos a criação de uma obra de arte que lembrasse para sempre essa luta pela restauração do país destruído. Utilizando apenas, e tão somente, as armas sucateadas, os artesãos construíram uma obra denominada “A Árvore da Vida”. Com três metros de altura e pesando meia tonelada, essa “árvore” majestosa, de grande beleza, está no hall de entrada do museu, arrancando suspiros de admiração dos visitantes. Tornou-se um símbolo da luta de Dom Dinis e dos seus irmãos do Conselho Cristão de Moçambique. Cristãos que ouviram a advertência de Jesus e “como árvores plantadas junto a ribeiros de água , continuam dando frutos bons na estação própria e tudo quanto fazem prospera.” (Salmos 1). Frutos bons, frutos do Evangelho, frutos de uma Igreja evangelizada.

É muito estranho e quase incompreensível um fenômeno editorial que se destaca nestes tempos que correm, e que nasce e cresce nas editoras, vinculadas a várias denominações cristãs. Na minha pequena biblioteca, tenho dispostos vários títulos e capas surpreendentes. Tais obras tratam de problemas muito graves, que têm perturbado as Igrejas cristãs contemporâneas. Puxa a fila o título “A Igreja tem salvação?” (Hans Küng), uma abordagem sobre a Igreja Católica Apostólica Romana. Estão lá: “A Igreja Autêntica” (John Stott), “Igreja: Por que me Importar?” (Philip Yancey), “Igreja. Acabou?” (Israel Belo de Azevedo), “O que estão fazendo com a Igreja?” (Augustus Nicodemus Lopes). Existem outros. Muitos outros. Todos, sem exceção, registram as dificuldades as mais diversas e os problemas mais variados que têm retardado o progresso do verdadeiro Evangelho e a edificação do Corpo de Cristo.

Nestes dias sombrios, parece que as árvores boas estão precisando de revigoramento, os frutos bons estão minguando e minguados. Teorizamos o bem, praticamos o mal. O livro já citado de autoria do Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, um pastor presbiteriano, de cara, chama a nossa atenção pela contundente capa: um grande e visível peixe – um dos símbolos mais admirados do cristianismo, certamente, estragado, apodrecido, jogado de cabeça para baixo num latão de lixo! Será que as árvores más, que produzem os maus frutos, se tornaram tão frondosas dentro da Igreja que não deixaram um pouco de terra e um pouco de sol para as árvores boas e os seus bons frutos? As raízes da Igreja precisam ser realimentadas pela simplicidade do Evangelho. Sim, a Igreja precisa ser evangelizada. As advertências de Jesus precisam ser relembradas sempre, precisam ser proclamadas e aplicadas individualmente por todos aqueles que se confessam cristãos.

Lemos a Bíblia Sagrada, e as palavras de Jesus sempre nos chamam para uma vida de testemunho do Evangelho. A proposta de Jesus para os Seus seguidores é elevada, acima das possibilidades humanas, do conhecimento humano, da percepção humana. Os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos; os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. (Isaías 55.8). Entretanto, a proposta de Jesus é que, durante a nossa peregrinação, esforcemo-nos para andar nos caminhos de Deus e não nos nossos. Fazendo assim, logo, logo descobrimos que a porta de entrada é estreita e o caminho é apertado e que, apesar das dificuldades da vida cristã, precisamos desenvolver a semelhança com a árvore boa e, conseqüentemente, produzirmos frutos bons. Para os que não atenderem a este chamado, a Bíblia Sagrada faz um último aviso: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.” (Lucas 3.9)

Não há quem possa florescer como a árvore boa e produzir bons frutos com os seus próprios recursos, quaisquer que sejam. Para que pudéssemos vencer essa impossibilidade, Deus o Pai e Deus o Filho enviaram sobre a Igreja o Espírito Santo de Deus, a Terceira Pessoa da Trindade. Desde aquele glorioso dia – Dia de Pentecostes – acontecido lá em Jerusalém sete semanas após a ressurreição de Jesus ( Atos dos Apóstolos 2), a Igreja foi revestida de Poder e recebeu o Dom que consola, conforta, ilumina, ampara, anima, instrui, ensina, fortalece, alegra e que transforma cristãos frágeis e incapazes em “árvores” boas, habilitadas para toda boa obra, capazes de produzir bons frutos. A ação poderosa do Espírito Santo de Deus: isto é o Evangelho. Desfrutar da companhia do Espírito Santo: isto é o Evangelho. A Igreja precisa ser, outra vez, evangelizada. Amém.