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Aonde vamos?

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“... vendo-as, porém de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade”. (Hebreus 11.13 e 16)

Já faz muitos anos, mais de sessenta, quando as livrarias evangélicas disponibilizavam um sucesso de vendas: tratava-se de cópias de um quadro de pintor desconhecido, denominado “Os dois caminhos.” Era comum e quase obrigatório encontrar uma dessas cópias em cada casa de família evangélica, apesar do mau gosto artístico. Diziam que era um eficaz instrumento de evangelização – talvez até pelo medo que impunha – e que o seu apelo visual facilitava o entendimento de algumas questões da escatologia bíblica. Sem comprovação, atribuía-se a origem dessa pintura a um movimento da Igreja Metodista. Atribuía-se, também sem comprovação, a uma Escola, não identificada, cuja linha de interpretação da Bíblia era Pré-milenista Dispensacionalista. O meu conhecimento sobre a possível origem e o possível autor acaba aqui. Nada mais sei a respeito; parece-me irrelevante.

Entretanto, penso que a fonte primeira de inspiração do autor tenha sido as quatro advertências do Senhor Jesus na conclusão do monumental Sermão do Monte, tal qual registrado nos Evangelhos Sinóticos. Em cada uma das quatro advertências, um par de contrastes é exposto aos olhos do leitor atento: “Dois caminhos“ (Mateus 7.13-14) , “Duas árvores” (Mateus 7.15-20), ”Duas afirmações” (Mateus 7.21-23) e “Dois construtores” (Mateus 7.24-27) . Essas advertências focam o julgamento escatológico e, portanto, não devem ser dissociadas da expectativa da consumação do Reino Eterno.

Eis a primeira advertência: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Mateus 7.13-14). O ensino do Evangelho e a pintura já referida dão evidência a um quadro panorâmico de muita clareza: há duas portas, dois caminhos, duas multidões e dois destinos. A primeira porta e o primeiro caminho são estreitos. A Santa Palavra de Jesus não diz que são retos. Ao contrário, têm curvas perigosas, têm abismos próximos, são restritivos, seletivos, às vezes são aflitivos e não permitem a passagem daquilo que o Senhor Jesus proíbe. São apertados e os peregrinos precisam abandonar as suas bagagens estufadas com os maus desejos do coração, com a cobiça dos olhos, com a presunção de poder. É difícil, muito difícil perseverar no caminho do cristão; o peregrino somente será exitoso se caminhar junto com a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo de Deus; precisa desejar e clamar por essa doce companhia que fortalece, anima, protege e consola. “Entrai pela porta estreita...”

A porta larga e o caminho espaçoso são mais convidativos, acomodam a multidão e a sua bagagem. Não há limites. Não há restrições. Princípios éticos e morais são relativizados e flexibilizados de acordo com interesses escusos ou não. A multidão segue atraída pelas ofertas de ocasião, sempre de olho em possíveis vantagens, justas ou injustas. A multidão enganada nem se dá conta de que nessa porta larga e nesse caminho espaçoso constantemente vai se deparar com as “ciladas do diabo” sempre presentes neste “mundo tenebroso.” (Efésios 6.11-12). A porta é larga e o caminho é espaçoso, mas Jesus não disse que seriam fáceis.

A multidão segue com as festas e orgias próprias do paganismo moderno, com a busca do dinheiro fácil dos jogos de azar, com estratégias malignas para a conquista ou a manutenção de pseudo poder político, social e, até, eclesiástico. A porta larga e o caminho espaçoso produzem o pavor dos ataques terroristas, as mãos armadas, o medo dos assaltos, os estupros, a prostituição, as violências domésticas, a malignidade que ronda as cidades, que já espreita o campo e já se aproxima da roça. A porta larga e o caminho espaçoso dão lugar de destaque aos políticos inúteis, cínicos e desavergonhados que transformam os palácios em cavernas de “Ali Babá” e a muitos líderes religiosos que, travestidos de ovelhas, não passam de “lobos roubadores” que amedrontam e tosquiam o rebanho ingênuo, ignorante e confiante que compra com dinheiro as falsas promessas de grama mais verde. Essa é a porta larga, esse é o caminho espaçoso oferecidos à multidão que continua sem, sequer, desconfiar “que o mundo inteiro jaz no maligno.” (I João 5.19). ”Entrai pela porta estreita...”

Todavia, as duas portas - a estreita e a larga - e os dois caminhos - o apertado e o espaçoso - não são um fim em si mesmos. A porta estreita e o caminho apertado levam à vida, ao Reino Eterno, à consumação do Reino de Deus. A porta larga e o caminho espaçoso levam à perdição, à destruição definitiva; não, simplesmente, no sentido da morte física, mas na imersão irremediável na morte eterna, o pavoroso e interminável destino da multidão que segue negligente pelo caminho espaçoso e não dá ouvidos à primeira advertência de Jesus: “Entrai pela porta estreita...” É conveniente registrar que a Bíblia Sagrada nos ensina acerca de três tipos de morte: a “morte física”, a “morte espiritual” e a “morte eterna” e que somente Jesus e o Seu Santo Evangelho podem nos libertar plenamente de todas as três. É isso mesmo! De todas as três! Aleluia! “Entrai pela porta estreita...”

Nós os cristãos somos peregrinos e forasteiros neste mundo tenebroso e, a exemplo dos Patriarcas – Abraão, Isaque e Jacó – vemos de “longe as promessas de um novo céu e uma nova terra, onde habita a justiça” (Isaías 65.17-25). Entrando pela porta estreita e peregrinando pelo caminho apertado, mercê da inefável graça de Deus, seguimos lutando para largar as bagagens inconvenientes que são perigosamente sedutoras. Não é difícil despencarmos num desses abismos do caminho apertado. Caminhamos para um alvo já estabelecido desde os tempos eternos, para um novo endereço, uma Pátria que nos acolherá, uma cidade celestial, a Cidade de Deus, tão profundamente vislumbrada e comentada por Santo Agostinho na sua obra maior e mais extraordinária. Para esse destino, somente existe uma Porta e um Caminho, como, tão claramente, Jesus apontou: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6).

Nestes tempos de severas tentações, de repetitivas ciladas do diabo, a Igreja verdadeira de Cristo precisa de evangelização, precisa de arrependimento, precisa de confissão, precisa de perdão, precisa de comunhão, precisa de pacificação, precisa de restauração, precisa desviar os olhos da porta larga e afastar os passos do caminho espaçoso. Continuadamente precisa ser lembrada da sua missão e do seu destino glorioso e, se for o caso, conduzida para retroceder e para retomar o caminho apertado através da porta estreita. A primeira advertência de Jesus, o Senhor e Cabeça da Igreja autêntica, continua soando forte através das trombetas do Santo Evangelho: “Entrai pela porta estreita...! Assim é e assim será até que volte o Redentor. Aleluia! Amém. 

 

 

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