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A rvore do dem

“... de toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2. 16-17) 

Durante muitos anos, enquanto tive a oportunidade de servir a Cristo na Escola Dominical, não por merecimento e sim pela misericórdia de Deus e pela bondade de muitos irmãos e irmãs que me suportavam, convivi nas classes com questionamentos sólidos sobre os temas que estudávamos juntos. O Livro de Gênesis – “No Princípio” - sempre encabeçou a lista das grandes perguntas, notadamente nos períodos em que, mais intensamente, afloravam nas escolas e nas livrarias os ensinos e o lançamento de títulos sobre a teoria da evolução de Darwin.

Pessoalmente, nunca desejei saber muito sobre o darwinismo. Minha escolha sempre foi a Bíblia Sagrada e nela sempre depositei todos os meus créditos. Da teoria da evolução de Darwin, aprendi, apenas e tão somente, o mínimo suficiente para mim: e é muito pouco. É pouco, mas é o que me satisfaz, é o que eu preciso para continuar a preferir, sempre, o que Deus falou na Sua Palavra ao que Darwin argumentou na sua teoria e nos resultados das suas pesquisas. A teologia e a fé não me deixam dúvidas; eu creio.

Percebi que algumas pessoas tinham dificuldades para aceitar e crer que Deus originalmente escolheu uma árvore, e somente uma árvore para, com ela, estabelecer limites tão fundamentais do conhecimento do bem e do mal. Para essas pessoas, a árvore e a ordem em torno dela eram de uma simplicidade inadequada, incompatível com a grandiosidade e a severidade das conseqüências que permaneceriam se tal árvore e tal ordem fossem ignoradas ou desprezadas. Contudo, o propósito de Deus com o que acontecia “No Princípio”, e a forma como acontecia, devia ser de fácil entendimento. Comer ou não comer? Obedecer ou não obedecer ao que Deus havia ordenado? Essa era a única questão relevante. “No Princípio” já era anunciada a simplicidade do Evangelho.

Os capítulos iniciais do Gênesis – “No Princípio” - não visam somente à descrição dos atos poderosos e maravilhosos de Deus, O Criador, mas têm também por objetivo iniciar e desenvolver o processo de educação da humanidade. “No Princípio”, ao redor do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, Eva, era tudo harmonia, todos os animais irracionais gozavam a vida na mais absoluta liberdade; talvez não seja impróprio dizer permissividade. Viviam e gozavam a vida de acordo, exclusivamente, com os seus instintos. “No Princípio” não existiam jaulas, grades, cercas, muros, domadores, chicotes, armas letais ou não, nenhuma presença do mal, nenhuma possibilidade de danos.

Diferentemente dos animais irracionais, Adão e Eva não podiam usufruir de tudo e, portanto, viviam sob uma leve tensão. É verdade que, apenas, os frutos de uma única árvore lhes eram proibidos, mas era terrível a severidade da punição fixada: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2.17) “No Princípio”, um sinal de “pare” foi colocado diante dos olhos de Adão e Eva. O mandamento divino fez soar em seus ouvidos a palavra “proibido”. Por quê? Por quais motivos foi imposta esta limitação, aparentemente, supérflua e incompreensível?

Porque é nesta proibição que repousa o Éden racional. Esta foi a grande oportunidade de Adão e Eva, pois, através desta proibição, eles puderam perceber, com toda a intensidade, a sua unicidade, a sua individualidade no mundo: criaturas humanas tocadas, marcadas pela chama divina da semelhança com o Criador. Homem e mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus, com capacidade para discernir entre o bem e o mal, para escolher entre obedecer e não obedecer.

A proibição, a placa de “pare”, criou para o homem um tipo de ação que seria escolhida por ele a partir da força da consciência e não dos instintos; atitudes que decorreriam de valores morais e não da vontade biológica, esta sim comum aos homens e aos animais irracionais. Toda vez que passasse perto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o homem poderia, de forma livre, não experimentar os frutos, apesar do seu desejo. Dessa forma, a sua alma e o seu corpo provariam o gosto da contenção e do controle. Este autocontrole poderia se sobrepor à curiosidade e à imaginação tentadora e isto resultaria na permanência do Paraíso. Tristemente, o desejo incontido venceu e a placa de “pare” foi conscientemente ignorada; o Paraíso foi perdido, o portão do Éden foi bloqueado.

A árvore do bem e do mal, uma figura metafísica, continua plantada. Dos seus galhos frondosos pendem os frutos que despertam os desejos, a tentação dos prazeres e paixões, que estimulam o desvio do alvo, a corrida para o pecado, sempre tão atraente e, momentaneamente, tão prazeroso. A placa de “pare” também continua fincada no caminho da humanidade, mas, a exemplo do que aconteceu no Éden, sua presença impõe restrições e, por isso, nem sempre é levada a sério. Mas ultrapassá-la pode significar a morte. É isto o que a Bíblia Sagrada ensina: cuidado! Pare.

Neste mundo tenebroso, cada vez mais, os frutos proibidos dessa árvore ficam ao alcance dos olhos e fáceis de serem colhidos e consumidos com avidez: prostituição, impureza, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, traições e, ainda, a busca desenfreada e irracional pelo poder e pelo dinheiro. Nesta busca pelo poder e pelo dinheiro, pessoas aparentemente normais, inclusive líderes religiosos, são capazes de descer até ao inferno e, não raro, dar o braço ao diabo. Tudo pelo poder, tudo pelo dinheiro. A placa está fincada: Pare! A advertência está posta: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Timóteo 6.10).

Faz bem ao cristão preservar essa árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim da sua vida. Faz bem à Igreja Cristã dos nossos dias não deixar que caia no esquecimento dos seus membros a existência ativa dessa árvore, dessa placa de “pare”, lembrando a cada um que “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” (Tiago 1.27)

Na consumação do Reino Eterno, voltaremos ao Éden e lá já não haverá mais uma árvore proibida, restritiva. Somente, a “Árvore da Vida” (Apocalipse 22.2). Essa é a nossa esperança, até que volte o Redentor. Amém. 

 

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