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A segurana do Amor Incomparvel

 Mensagem do blog abarcadecristo

“Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos Seus discípulos, aquele a quem Ele amava.” (João 13.23)

Aqueles que me honram e me alegram com a leitura dos meus textos e que não são tão jovens (como eu também não sou), hão de se lembrar do nome de Antônio Maria Araújo de Morais (1921-1964), popularmente conhecido e chamado, simplesmente, de Antônio Maria. Nascido em Pernambuco, era filho de família abastada, usineiros, grandes produtores de açúcar. Antônio Maria era compositor, jornalista, excelente pianista e, também, fluente em francês, como convinha aos bem educados e bem sucedidos da sua época.

Algumas das suas composições se caracterizavam pelo pessimismo, pelo desânimo, pelo desapontamento com a vida, talvez revelando os sintomas de uma enfermidade hoje muito comum: a depressão. Isso é, apenas, uma hipótese, uma conjectura, e não uma afirmativa, pois faltam informações seguras sobre esse detalhe. Estas composições eram denominadas músicas de “fossa”. Dizia-se de que quem as cantava e as apreciava que estava na “fossa”, isto é, acabrunhado, inseguro, triste, desanimado, deprimido, decepcionado com a vida, totalmente “p’ra baixo” ou com “dor de cotovelo,” outra expressão, então, muito comum. Numa composição famosa Antônio Maria, disse: “Se eu morresse amanhã de manhã não faria falta a ninguém.”

Nesse estilo, a sua música de maior sucesso é intitulada “Ninguém me ama”. A sua letra diz: Ninguém me ama, ninguém me quer/Ninguém me chama de meu amor/ A vida passa, e eu sem ninguém/E quem me abraça não me quer bem/ Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso/ E hoje descrente de tudo me resta o cansaço/Cansaço da vida, cansaço de mim/ Velhice chegando e eu chegando ao fim/. Constatação quase absurda de alguém que desfrutava de todos os bens materiais que desejasse, de plena realização profissional, cercado de cuidados da família, da admiração dos seus amigos e de colegas compositores e cantores. Ele viveu apenas 43 anos; portanto, muito distante da velhice, uma expectativa que o atormentava. Faleceu muito jovem. Provavelmente, lhe faltavam as bênçãos espirituais das quais nos fala o Apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios 1.3. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.”

 

Em absoluto contraste com as letras de Antônio Maria, nós, os cristãos, temos o admirável exemplo de Fanny Jane Crosbi (1820-1915), autora de cerca de 8.000 poemas de louvor, adoração e gratidão a Deus, muitos dos quais foram musicados e constam dos hinários evangélicos no mundo inteiro. Fanny Crosbi nasceu em Nova York e, em conseqüência de um erro médico, ficou cega no segundo mês de vida. Casou-se com Alexander Van Alstine (1831-1902), estupendo e admirado organista, um dos maiores dos EUA, cego também. Jamais perderam a paz, a alegria e a inspiração, que são algumas das bênçãos espirituais advindas das Mãos de Deus e Pai, como nos ensina a carta de Tiago 1.17: “Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das Luzes, em Quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”

Dentre os seus muitos hinos, um, especialmente, é revelador da sua confiança e alegria em Deus: “Que segurança tenho em Jesus/Pois Nele gozo paz, vida e luz/Com Cristo herdeiro, Deus me aceitou/Mediante o Filho que me salvou/Conto esta história, cantando assim/Cristo na cruz foi morto por mim/Conto esta história cantando assim/Cristo na cruz foi morto por mim. Plena confiança de quem se sentia amada por Deus, em que pese a sua condição de cega desde a tenra infância.

Desde a minha meninice, e isto já faz muitos anos, tenho convivido com a leitura da Bíblia Sagrada. Dentre os inúmeros textos que despertaram a minha atenção, principalmente pela falta de compreensão, um detalhe na biografia do Apóstolo João sempre me trazia confusão. Este detalhe está presente em algumas apresentações que o Apóstolo faz de si mesmo, denominando-se de “aquele a quem Jesus amava.” Esta forma me parecia indicar que ele era o único a quem Jesus amava, o que não era verdade; parecia revelar, ainda, uma pessoa presunçosa, orgulhosa de sua posição privilegiada junto a Jesus, o que também não era razoável. Como, então, entender o significado dessa apresentação bíblica e, portanto, inspirada?

Eu não encontrava uma resposta satisfatória para este questionamento até que ouvi um belo sermão proferido pelo Reverendo Edson Costa e Silva, um dos Pastores de nossa Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. No referido sermão, todas as possibilidades de presunção ou de orgulho por parte do escritor do quarto Evangelho foram inteiramente descartadas. Restou, então, uma confortadora lição: a forma de apresentação do Apóstolo João revelava e continua revelando a sua convicção e a sua segurança em saber e crer que era amado pelo Senhor Jesus.

Este saber e crer eram o tesouro maior da sua vida, a rocha firme do seu amparo, da sua proteção, da sua confiança na infalível providência Divina. Sentir-se amado por Jesus significava para o Apóstolo que ele podia se entregar inteiramente à missão que o Mestre dos mestres lhe confiaria. Podia dedicar-se totalmente à sua vocação e ao seu chamado. Apesar das circunstâncias, vendo o seu Senhor sendo traído, sendo negado, caminhando inexoravelmente para a crucificação, João sabia que era amado e que, portanto, no triunfo da cruz, ele, também, por toda a sua vida seria conduzido em triunfo. Assim se revelava e continua se revelando o amor de Deus e João vivia e anunciava a realidade deste infinito amor.

Contrariando a música de Antônio Maria, todos aqueles que, a exemplo do Apóstolo João, têm a certeza de serem amados por Deus e por Seu Filho bendito podem cantar o cântico, sempre novo, de Fanny Crosbi: “Que segurança, sou de Jesus/E já desfruto o gozo da Luz/ Sou por Jesus herdeiro de Deus/Ele me leva à Glória do céu.” Com essa certeza e com essas alegria e paz podem continuar cantando: “Canta minh’alma, canta ao Senhor/rende-Lhe sempre ardente louvor…” Este cântico, sempre novo, começa a ser cantado aqui na terra, enquanto, como peregrinos, navegamos na “Barca de Cristo”, rumo ao Eldorado de Deus. Quando lá chegarmos, veremos a Deus e continuaremos cantando por toda a eternidade. Aleluia! Amém!