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Quase capotei na curva

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“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de Glória, acima de toda comparação.” (II Corintios 4.17)

Philip Yancey nasceu em Atlanta (EUA) no ano de 1949 e, bem cedo, se tornou um escritor cristão de grande sucesso. Seus diversos livros, publicados em muitos países e em muitas línguas, já alcançaram a incrível marca de mais de 14 milhões de exemplares vendidos. O seu estilo de escrita é de fácil leitura, os textos são muito atraentes, o que torna quase impossível largar qualquer um dos seus títulos, depois de iniciada a leitura. No Brasil, dentre os muitos títulos já publicados, um, pelo menos, se destaca e fiz dele o meu “livro de cabeceira.” Trata-se de “Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados” (Editora Mundo Cristão – 2005).

Estes são tempos de pregações televisivas, esvaziadas do Evangelho genuíno, pregações que, irresponsável e malignamente, estimulam pessoas necessitadas e distraídas para correrem atrás de Deus em busca exclusiva de pães, peixes, curas, empregos de projeção, dinheiro fácil, prosperidade irreversível, como se o caminho proposto por Jesus para os Seus seguidores fosse isento das aflições próprias deste mundo que “jaz no maligno”. O caminho proposto por Jesus é cheio de curvas; enquanto se anda por ele, não é possível enxergar grandes distâncias à frente. Em que pese esta impossibilidade e as perigosas curvas do caminho, podemos seguir confiantes na promessa divina e genuínamente bíblica: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo o lugar, a fragrância do Seu conhecimento”(II Coríntios 2.14). .Aceleramos e entramos nas curvas, às vezes até com uma inconveniente e exagerada carga de imprudência, movidos pela fé que nos faz confiar na proteção do nosso Deus e Pai. Como as aflições do tempo presente atingem igualmente os justos e os ímpios, o resultado, nem sempre, é o que esperamos e desejamos. Inesperadamente, surge uma curva mais acentuada e nós capotamos. Recentemente, eu vivi a experiência de capotar na curva. Eu capotei na curva.

Quando isto acontece o “Por quê?” e o “Para quê?” se multiplicam e, muitas vezes, nos fazem perguntar a nós mesmos “Onde está o teu Deus?” A dor, a dúvida, a surpresa desagradável, são lugares mais que inesperados nos quais podemos descobrir Deus! Não faz muitos dias, alguns sintomas ruins me levaram ao médico. O diagnóstico foi frio e agudo: havia um tumor no meu cérebro que precisava ser removido e com urgência. Segui firme, sem grandes preocupações, fiz os vários exames exigidos e entrei no bloco cirúrgico sem tristeza, tranquilo e isto porque eu sempre soube onde estava o meu Deus. Quando entrei no bloco, eu sabia e cria que ELE estava lá, um lugar inesperado, pois se ELE quisesse, nada disto teria acontecido. Não nos cabe fazer, em nome de Jesus, pedidos a Deus que contrariem a Sua Santa e perfeita vontade. ”Não tentarás ao Senhor teu Deus.” Foi o que Jesus nos ensinou em Mateus 4.7.

Mercê da inefável bondade de Deus e do Seu grande poder, as Suas bondosas e abençoadoras mãos foram estendidas sobre mim, sobre os médicos e, em apenas duas semanas, eu já estava em casa sentindo-me plenamente recuperado, feliz e agradecido. Mas, aí, surgiu outra curva no meu caminho e, inesperadamente, eu capotei outra vez. Sem qualquer ligação com o procedimento cirúrgico, fui acometido de severas dores e tive que retornar ao hospital. Foram mais onze dias e noites de internação, inclusive na UTI. Esforcei-me para conservar a alegria, o bom humor, a tranquilidade e, acima de tudo, a insubstituível e necessária paciência. Deus me ajudou, a família, sempre próxima, me sustentou e o meu esforço foi recompensado graças às fervorosas orações de irmãos e irmãs queridos e dos Pastores da Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte e de outras igrejas que, igualmente, me acompanharam neste tempo difícil. Assim os dias e noites foram passando. Eu vivia grandemente motivado pela esperança de voltar para casa e isto fazia com que eu contasse os dias e as noites, sempre aguardando o dia seguinte, a manhã libertadora.

Em dado momento, foram fortemente construídas expectativas da alta hospitalar para a manhã do dia seguinte. Entretanto, ao anoitecer da véspera, o médico desfez estas expectativas e avisou-me que, pelo menos, por mais uma semana eu permaneceria internado. Nesta curva do caminho eu perdi o controle e capotei para valer. O desânimo me assaltou, a desesperança deitou ao meu lado e a tentação foi cruel: “Onde está o Teu Deus?”

Um irmão e amigo querido que me visitava regularmente, ao chegar, a primeira coisa que ouviu de mim foi: Capotei na curva! Com palavras de fé e sabedoria, ele me disse, mais ou menos, o seguinte: “Não importa. Deus manda o guincho.” Então, outra vez, descobri Deus, em dois lugares inesperados: primeiro, no abismo, onde fui parar quando capotei; segundo, no “guincho” do Seu poder que me restaurou e me pôs, de novo, no caminho seguro da Sua Graça, ainda que com curvas surpreendentes. Reaprendi: O caminho de Jesus tem curvas e, nessas curvas, muitas vezes capotamos. “Muitas são as aflições do justo; mas o Senhor, de todas, o livra” (Salmos 34.19). Capotei na curva, mas o “guincho” de Deus chegou no tempo certo. Louvado seja Deus. Amém.