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Seria terrvel - Ser glorioso

 Mensagem do blog ABARCADECRISTO!

“Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o Teu povo, ó Senhor, e não entregues a Tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Porque hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?” (Joel 2.17)

Presumo que somente para um grupo de pessoas muito restrito e específico exista algum interesse pelas características do inseto que conhecemos pelo nome de gafanhoto. Entretanto, neste texto, é necessário informar ou lembrar alguns acontecimentos catastróficos e números assombrosos relacionados com este aparentemente frágil, porém devastador, inseto. Não se surpreendam com os números, eles são verdadeiros.

Um gafanhoto fêmea que ponha ovos no mês de junho terá, em média, dezoito milhões de descendentes vivos no mês de outubro do mesmo ano. No Senegal e em outros países africanos, existem registros de ataques nos quais foram constatados que se concentravam cerca de um mil e duzentos insetos por metro quadrado. Na região do Mediterrâneo oriental, em época não muito distante, foi registrado um enxame que tinha cerca de vinte e quatro bilhões de insetos. Nos anos de 1960, uma praga atacou a Califórnia e, num único município, oitocentos quilômetros quadrados ficaram totalmente cobertos e, na sua voracidade contra as plantações, formavam pilhas de até quatro gafanhotos. Bebês recém-nascidos tinham os seus rostos devorados antes que pudessem dar o primeiro sinal de choro e desespero. Quando alçam vôo, estes enxames alcançam grande altura e, muitas vezes, são capazes de encobrir a luz do sol.

A extraordinária profecia de Joel é um pequeno texto de duas páginas “escondidas” e quase esquecidas lá no final do Velho Testamento. Tudo se concentra em torno de uma devastadora praga de gafanhotos que chegou à terra de Israel, numa declarada manifestação do juízo de Deus contra o Seu povo em razão de uma religiosidade pecaminosa, condenada e detestada. Se ficamos estarrecidos com os números descritos, muito mais ficaremos com o que nos é revelado na Santa Palavra de Deus: “Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos seguintes, de geração em geração.” (Joel 2.2). No texto profético, os gafanhotos são comparados a um povo e a natureza da calamidade, única e sem precedentes, é enfatizada; não houve e nem haverá, jamais, praga que supere aquela dos dias do profeta Joel.

Enquanto testemunhava a calamidade incontrolável que desabava sobre a sua terra e a sua gente, o profeta concluiu que os seus olhos viam o prenúncio do grande e terrível Dia do Senhor. Todas as expectativas que Israel tinha com relação a esse dia, imaginando que seria uma virada do tempo a seu favor, que traria paz e prosperidade e que firmaria o domínio da nação sobre os outros povos, haviam sido desfeitas pelo profeta Amós quando ele anunciou: “Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz.”(Amós 5.18). Este era o Dia que o profeta Joel via raiar trazendo a ira santa de Deus. Divinamente ordenado, ele proclamou: “… sim, grande é o Dia do Senhor e mui terrível! Quem o poderá suportar?” (Joel 2.11).

O clamor do profeta chegou ao céu e Deus Se compadeceu; e para manifestar a Sua compaixão reivindicou que os sacerdotes e os ministros chorassem de tristeza e arrependimento e orassem. Então, fez cessar o devastador ataque dos gafanhotos e, com esta demonstração de poder e amor, afastou o pavor do iminente “Grande e terrível Dia do Senhor”. Quando o pecado se torna uma prática coletiva e contínua, como ocorria no tempo do profeta Joel, ou mesmo um comportamento costumeiro de uns poucos indivíduos, a misericórdia e o perdão só interrompem a ira santa de Deus quando ocorrem um arrependimento e uma confissão genuínos. O profeta recomendou estas atitudes com uma pregação radical: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade,…” (Joel 2.13) Este é o nosso Deus; Justiça, Misericórdia, Compaixão e Benignidade! Aleluia!

Enquanto reclamava o arrependimento e o compromisso real de abandono do pecado, o profeta Joel anunciou também um conjunto de promessas divinas diretamente convergentes para a restauração da terra e para a fartura sem medidas de tudo que se havia perdido: cereais, vinho, óleo, figo, uva; além disto, as pastagens destruídas como que pelo fogo, reverdeceriam e os rebanhos se fartariam. A praga de gafanhotos, cujo ataque à terra de Israel havia sido ordenado por Deus, também pela Sua exclusiva vontade e pelo Seu irresistível poder, seria removida e destruída: “…lançarei a sua vanguarda para o mar oriental, e a sua retaguarda, para o mar ocidental; subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão…” (Joel 2.20). Estas bênçãos chegariam de imediato e a terra, o povo e os seus rebanhos, reencontrariam a vida. A ordem imposta pela Palavra de Deus não se altera: reconhecimento do pecado, arrependimento, confissão, perdão, restauração. É assim, sempre foi assim, sempre será assim e somente assim. Não existem outros meios.

Nesse novo dia de perdão, de restabelecimento da paz, da comunhão com Deus e de fortalecimento da fé, Israel se tornou possuidor da promessa de uma bênção espiritual incomparável. Joel profetizou: “E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões;… ”(Joel 2.28). A partir desta promessa, a expectativa do profeta e do povo foi substituída; no horizonte da fé de Israel, não se vislumbrava mais o “Grande e Terrível Dia do Senhor.” Agora, os olhos da fé contemplavam e aguardavam o “Grande e Glorioso Dia do Senhor.”

Muitos anos depois, após a ressurreição de Jesus, o Cristo de Deus, lá em Jerusalém, na festa de Pentecostes, os peregrinos de várias nações ouviram, cada um na sua própria língua, quando o apóstolo Pedro proclamou: “Mas o que ocorre [aqui e agora] é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: e acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do Meu Espírito…” (Atos 2.16-17) A promessa se realizou, a profecia foi cumprida e, agora, conforme aconteceu com os salvos do tempo do profeta Joel, os passageiros da Barca de Cristo esperam confiantes nas palavras do apóstolo: “… antes que venha o Grande e Glorioso Dia do Senhor.” (Atos 2.20). Esse Dia chegará com a consumação do Reino Eterno e todos os salvos identificados com o sacrifício da cruz participarão dele.

O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes foi o ato inaugural e, ao mesmo tempo, definitivo do ministério da Terceira Pessoa da Trindade no meio da Igreja. Este é um mistério que se aprofundou quando aprouve a Deus nos revelar que o Seu Santo Espírito foi enviado, não somente para estar em nosso meio, mas, e isto é impressionante, para habitar em nós: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Coríntios 6.19). Completou-se assim a revelação da comunhão que Deus idealizou e realizou para dar segurança e esperança à Sua Igreja; desfrutamos da presença de Deus o Pai, que está acima de nós e que tudo governa; de Deus o Filho que prometeu estar conosco todos os dias, diante de nós; de Deus o Espírito Santo, o Consolador que está em nós. Acima de nós, conosco e em nós, Deus reina absoluto e tudo faz como Lhe agrada!

Qualquer pessoa, qualquer membro de Igreja, sem distinção, poderá a qualquer momento confessar a sua fé e a sua confiança em Deus; quase todos fazem isto. De igual modo, todos ou quase todos dirão que crêem no sacrifício da cruz e que têm o Senhor Jesus Cristo como o seu Redentor. Ninguém poderá contestar estas respostas, visto que são confissões do íntimo, guardadas no coração, inacessíveis, protegidas de toda e qualquer especulação humana. Sendo assim, não é difícil declarar-se cristão.

Entretanto, a realidade é outra, radicalmente outra, quando se trata da pessoa do Espírito Santo. Ninguém há que possa limitar no espaço do seu coração, da sua mente, do “santuário do seu corpo” a ação poderosa e transbordante do Espírito de Deus. Quem verdadeiramente se sente possuidor desta inefável, misteriosa e imerecida bênção, deve guardar a sua boca de proclamá-la, dentre outras razões, porque esta proclamação é absolutamente desnecessária e irrelevante. Quando o Espírito Santo encontra lugar de honra na nossa vida e submissão do nosso coração, Ele transborda no nosso comportamento, nas nossas decisões, nas nossas atitudes, no nosso amor ao Evangelho, no exercício dos nossos dons espirituais, na formação das fileiras do Reino de Deus, no zelo e respeito pela Palavra de Deus e pela Barca de Cristo. Então, sem necessidade de palavras, a Sua presença será claramente constatada em mim e em você. Ninguém precisará perguntar a mim ou a você: “Onde está o seu Deus?” (Joel 2.17)

“Mas os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5.22-23). Se a nossa vida permite que estes frutos apareçam, que os outros os vejam, temos o Espírito Santo em nós e, então, podemos aguardar cheios de fé o “Grande e glorioso Dia do Senhor.” Se não… Amém.