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Pai de verdade

 Pai esquecido

Você, que também é pai, talvez compartilhe uma história de vida como a minha. Antes de tudo, quero reafirmar a bondade, misericórdia e maravilha de Deus, que na proximidade do Dia dos Pais, tocou meu coração e trouxe à minha memória um texto que, havia lido, na adolescência e, como filho, me emocionei e maravilhei com seu conteúdo (que transcrevo logo abaixo). Pela austeridade de meu pai, cresci achando que aquilo que vivi era a forma correta de educar os filhos. Hoje, pai, avô e bisavô, o Senhor me dá entendimento, discernimento e oportunidade para pedir perdão as minhas duas filhas, pela forma severa na criação delas. É certo que desfrutamos de momentos alegres e festivos, mas eles seriam em números muito maiores se não fosse um pai tão austero. Queridas, felizmente temos um Deus grandioso que nos desperta para sermos um pai diferente, um pai como das muitas vezes que pude contemplá-las e agradecer por serem presentes maravilhosos que Deus me dera. Saibam que, mesmo antes de nascerem, vocês já tinham lugares especiais em meu coração! E, esse amor cresce a cada dia, sempre à procura de fazer de mim um “Pai de Verdade”. Amo vocês!!! (jam)

PAI ESQUECIDO

(Texto escrito por W. Livingston Larned, e publicado em Seleções do Reader´s Digest em agosto de 1945)

“Escute, meu filho: digo isto, enquanto você dorme aí com a mão sob o rosto, os cabelos pegados na testa úmida. Entrei de mansinho e só no seu quarto. Há poucos minutos, lendo o meu jornal, fui tomado de um opressivo remorso. Inquieto, vim para perto do seu leito.

Eis o que pensava, meu filho: fui implicante com você; repreendi-o quando se vestia para a escola porque não lavara o rosto com cuidado. Falei asperamente por causa dos sapatos sujos. Gritei, zangado, quando deixou suas coisas no chão.

Ao café, de manhã, achei pretexto também para resmungar. Você derramara leite na toalha; devorava em vez de comer; tinha os cotovelos sobre a mesa; punha manteiga demais no pão. E, quando saímos, você para brincar, eu para tomar o bonde, você voltou-se, deu adeus com a mão e gritou: ”. Até logo, paizinho! ” Fechei a cara e, como resposta, disse: “Endireite os ombros! ”

Depois, tudo recomeçou de tarde. Quando vinha pela rua, vi-o, de joelhos no chão, brincando; humilhei-o diante dos companheiros, mandando que seguisse à minha frente, para dentro de casa. As meias são caras e se você tivesse que comprá-las teria mais cuidado. Imagine, filho, ouvir isso de um pai!

Lembra-se quando, mais tarde, eu lia na sala e você entrou timidamente, com um traço de mágoa no olhar? Levantei os olhos do jornal, impaciente pela interrupção, e você hesitou na porta. – Que é que você quer? Rosnei.

Você não disse nada, mas correu pela sala e, num pulo rápido, atirou-se sobre mim, me abraçou, me beijou e os seus bracinhos me apertaram com o amor que Deus fez brotar no seu coração e que nem a minha negligência conseguia reprimir. E então subiu as escadas celeremente.

Bem, meu filho, foi pouco tempo depois disso que o jornal me escapou das mãos e o meu espírito se sacudiu por uma preocupação terrível: Que será de mim, se me escravizo a este hábito de viver ralhando, estar sempre repreendendo? É a única recompensa que lhe dou por ser um menino sadio? Não é que não o amasse; é que queria exigir demais: media a sua juventude pelo gabarito da minha idade.

E havia tanto de bom, de excelente e veraz no seu caráter! O seu pequeno coração era tão amplo como a própria aurora a descer sobre os morros. A prova estava naquele impulso espontâneo de vir correndo para me beijar e me dar boa noite. Nada mais vale esta noite, meu filho. Vim para o lado de sua cama, na escuridão, onde me ajoelhei, envergonhado. É uma pequena penitência; sei que você não compreenderia estas coisas se lhas dissesse durante as suas horas de vigília, mas amanhã serei um paizinho de verdade. Serei mais que amigo; sofrerei quando você sofrer; rirei quando você sorrir; morderei a língua quando me brotarem palavras impacientes. Direi repetidas vezes, como uma oração: ele é apenas um menino, uma criança.

Receio e temo que o tenha tomado por homem. Entretanto, meu filho, contemplando-o agora, encolhido e cansado, na cama, convenço-me de que é ainda uma criancinha. Ontem, você dormia ainda nos braços de sua mãe, a cabeça no ombro dela. Pedi demais, pedi demais. ”
 

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