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Deixado beira do caminho

 Sobre a greve dos caminhoneiros.

O último domingo (22/fevereiro/2015) amanheceu com uma notícia preocupante! Caminhoneiros de nove estados aderiram à paralização que teve início na quarta-feira, nos estados do Paraná e Santa Catarina.

Pelo fato do país contar com uma gigantesca frota de caminhões, os números do movimento pode dar uma errada ideia de ser pequeno mas, quando vemos que a concentração de, em média, 100 caminhões parados em cada um dos 22 pontos, só no estado do Paraná, sentimos ser um brado de alerta muito significativo na economia do país.

A adesão ao movimento, que tem sido contínua, se espalha rapidamente havendo locais que o número de caminhões parados já ultrapassou a 300.

O interessante é que essa paralização apresenta uma característica diferente, ao invés de interromper o trânsito de todos que por ali trafegam, está envolvendo e conscientizando apenas os motoristas de veículos de carga pesada, não atrapalhando a movimentação de carros, motos, ônibus, cargas vivas e produtos perecíveis.

As justificativas apresentadas pelos líderes do movimento e apoiadas pelos caminhoneiros estão pautadas, principalmente, na: - redução do custo do combustível, que teve o aumento recente; - elevada quantidade de postos de pedágio; - situação precária da grande maioria das estradas do país, com excessiva quantidade de buracos, traçados incorretos, falta de sinalização; - ausência de estrutura nas estradas para atender às necessidades dos caminhoneiros para descanso e de segurança; - implantação da jornada de trabalho (lei de set/2015), que fixou em 8 horas diárias e o adicional de 2 horas extras.

Estudos da Confederação Nacional de Transporte, divulgados recentemente, apontam que 62% das rodovias brasileiras apresentam problemas; 87% são pistas simples de mão dupla, construções da década de 1970 e a maioria não recebeu processos de modernização e nem duplicação. Fatores que têm influenciado grandemente nos acidentes rodoviários e nas finanças do caminhoneiro, que vê seus lucros se esvaírem nas constantes quebras e avarias do veículo e no tempo que é perdido pela reduzida velocidade que tem que exercer para desviar e vencer os buracos existentes.

Quando o governo optou pelo transporte rodoviário, deixando em segundo plano os demais meios, incentivou a produção de veículos pesados e até abriu novos caminhos para escoar a privilegiada produção brasileira. Entretanto, o mesmo não aconteceu com os cuidados necessários na estrutura da própria malha rodoviária. O investimento na pavimentação e conservação asfáltica, na sinalização, no traçado adequado das pistas e curvas, têm ficado a desejar, sendo que o maior prejudicado de tudo é o caminhoneiro, aquele que acreditou nas promessas mas tem sido “deixado à beira do caminho”. (jam)
 

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