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Ps de andarilhos

O barulho constante dos motores e o vai e vem de veículos, num trânsito cada vez maior, fazem com que os pés que caminham pelo acostamento das estradas não sejam notados. É incalculável o número de pessoas que um dia tomaram a decisão de vaguear, sem um destino definido, pelas rodovias do país.

O Projeto Fé na Estrada, que também vai até essas pessoas, com atendimento e orientação espiritual, dentro das possibilidades, tem socorrido materialmente os necessitados. E, é nesses breves relacionamentos que acabamos sabendo os motivos que os levam a decidir por essa prática, elas são diferentes para cada um e até podemos elencar como principais: a suspeita ou confirmação de infidelidade conjugal; o desemprego; o abuso da bebida alcoólica ou outro vício; desavença entre familiares; dificuldade financeira; abuso dos vários tipos de violência em família; problema psiquiátrico e outros mais.

São fatores que na verdade, acabam sendo a “gota d´agua” que faltava para um desejo, iminente, se transbordar. É o “fugir da responsabilidade”, muitas vezes, deixando para que outros a assuma, ou uma forma simplista de se dizer muito cansado com os problemas constantes e insolúveis.

Há pessoas que se arrependem ao enfrentar as primeiras dificuldades, e voltam atrás. Preferem se humilhar com o arrependimento, a enfrentar sol, calor, chuva, desabrigo e os perigos das estradas. Entretanto, ainda é grande o número dos que perseveram na nova jornada. Dizem que passadas as primeiras semanas e meses, as dificuldades são incorporadas ao novo estilo de vida e descobrem que há algumas maneiras para ludibriá-las. A fome, por exemplo, conseguem enganá-la deitando à sombra de uma árvore e dormir durante algum tempo; ou ainda, preencher aquele espaço vazio, tomando bastante água. Isso, até chegar onde haja algum tipo de comida, principalmente restaurantes ou postos de combustíveis onde, normalmente, conseguem trocar algum tipo de serviço por alimento.

Pela incompatibilidade de gênios, sempre procuram andar sozinhos, mesmo que esporadicamente possam dividir locais para descanso ou até mesmo alguma comida (são muito solidários), a solidão é sua constante companheira, embora nas nossas conversas deixem transparecer lembranças dos bons momentos vividos, antes de ser andarilho. O medo de voltar ao convívio antigo, sempre se esbarrará na preocupação de: qual será a reação dos amigos e familiares com a volta de um fracassado?

Os que estão nas estradas por muitos anos, contam histórias fabulosas e mirabolantes. Falam dos muitos estados por onde passaram e das maravilhas que viram e admiraram, são lugares inesquecíveis que os brasileiros deveriam conhecer. E, são nessas andanças que adquirem experiências não agradáveis como, percorrer longas distâncias sem encontrar postos, casas ou pessoas, e quando as encontram são maltratados e ofendidos, sendo comparados a bandidos. Por essas estradas, dizem, jamais voltarão! A mesma experiência mostra, e eles preferem, aquelas que ligam grandes cidades. O perigo oferecido no grande trânsito sempre é compensado pela quantidade de postos e restaurantes, e pela maior possibilidade de trocas de favores: serviços por um prato de comida ou um cantinho para descansar.

A tristeza fica por conta da chocante realidade entre os andarilhos, com as estatísticas mostrando ser grande o número de acidentes fatais envolvendo essas pessoas. O simples descuido dele próprio, ou do motorista ao sair no acostamento, tem provocado a morte de muitos, que acabam sendo recolhidos e enterrados como indigentes – tanto por não portarem documentos como pelas dificuldades em contatar algum familiar.

Oremos por essas pessoas, para que nosso trabalho as façam conhecer ou voltar a Jesus Cristo, e vejam que Deus sempre tem portas abertas onde serão ancoradas num porto seguro. (jam) 

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